terça-feira, 20 de novembro de 2012

Pedra filosofal alterada

Eles não sonham que o saber
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra azul
em que me deito e durmo,
como este ribeiro agitado
em sonhos mexidos,
como estes pinheiros altos                                              
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sonham que o bêbado
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e molhados,
de nariz pontiagudo,
que nada é para sempre
num perpétuo movimento.

Eles não sonham que o teto
é tela, é cor, é guarda-chuva
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, musical,
máscara grega, magia,
que é retorta de de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passos de coelho,
Colombina e Arlequim,
gata voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
máquina do átomo, radar,
fios, televisão,
desembarque em foguetão
na terra lunar.

Eles não sonham, nem o pensão
que o espírito comanda a vida.
Que sempre que um homem pensa
o mundo pula cai
como bola colorida
entre mãos de uma mulher.

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